TDoR: Mais de 30 ativistas internacionais em Lisboa para o Dia da Memória Trans

Hoje, dia 20 de novembro de 2015, assinala-se internacionalmente o 17º Dia da Memória Trans. Este não é um dia para assinalar de ânimo leve. Desde o último Dia da Memória Trans (2014) morreram pelo menos 300 pessoas trans, vitimadas pela transfobia. É imperativo relembrá-las.

Não podemos esquecer que qualquer lista de pessoas mortas pela transfobia não pode, nunca, ser mais que uma amostra. Tratam-se de dados recolhidos por ativistas e organizações trans, muitas vezes tendo como única fonte os meios de comunicação social.
Segundo os dados disponibilizados pelo “Transrespect versus Transphobia Worldwide”, projeto da Transgender Europe (TGEU) que monitoriza os homicídios de pessoas trans a nível global, foram assassinadas pelo menos mais de 271 pessoas este ano.
A maioria das listas elaboradas para o Dia da Memória Trans continua a deixar de fora as pessoas trans que cometem o suicídio – que são, na sua maioria, também vítimas da transfobia. O website Planet Transgender contabilizou 27 pessoas trans que se suicidaram no último ano. A esta lista poderia ser acrescentada May Peleg, que se suicidou no passado dia 15 de novembro ou Santiago Martinez, que se suicidou no último verão.

Um pouco por todo o mundo, diferentes iniciativas e eventos procuram fazer desta data um espaço de reflexão sobre a situação social e jurídica em que vivem as pessoas trans em diferentes contextos geográficos e culturais. Em Portugal, são vários os eventos que estão a ser organizados, envolvendo diferentes organizações e dezenas de ativistas trans, tendo Lisboa como pólo centralizador.

A API estará empenhada em receber um grupo de ativistas vindos de toda a Europa, e que irão participar numa formação organizada pela Transgender Europe (TGEU), a decorrer ao longo do fim-de-semana (entre 21 e 23 de novembro). Este será o primeiro evento internacional deste tipo que acontecerá em Portugal, juntado mais de três dezenas de ativistas que, em conjunto, irão capacitar-se para desenvolver o ativismo e as organizações trans em diferentes países europeus.

Além de participar nesta formação, a API aceitou o desafio de apresentar Lisboa e as práticas e experiências do movimento trans português. Neste sentido, estaremos bem acompanhados para acompanharmos a intensa agenda que diferentes coletivos têm estado a preparar para os próximos dias.

No dia 20 de novembro (sexta-feira):

Às 14h30 é iniciado o I Congresso JANO, que irá ocorrer no ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa. Destaque para o painel “Uma reflexão social e jurídica no Dia Internacional da Memória Trans” (às 16h30), que contará com a moderação de Santiago D’Almeida Ferreira, presidente da Ação Pela Identidade – API;

Às 21h30 terá local no Centro LGBT uma tertúlia evocativa do Dia da Memória Trans, que contará com a participação de Dani Bento. À mesma hora, abrirão as portas do MOB – Espaço Associativo, para um evento do colectivo Lóbula com uma instalação vídeo e fotográfica que também irá evocar este dia e relembrar todas as vítimas mortais da transfobia, contando, a partir das 22h30 com intervenções de ativistas e pessoas trans.

No dia 21 de novembro (sábado):

Às 9h30 inicia-se o segundo e último dia do I Congresso JANO. A API destaca o primeiro painel do dia (logo às 9h30!), com o tema “Na primeira pessoa”, que contará com a presença de várias pessoas trans, nomeadamente de Júlia Mendes Pereira (membro-fundadora da API, dirigente da Transgender Europe e a primeira mulher dirigente de um partido político em Portugal ou a candidatar-se à Assembleia da República); de Lourenço Ódin Cunha (antigo participante do reality-show “Casa dos Segredos”) e de Luísa Reis e Duarte Lázaro (membros da direção da JANO).
Às 20h00 o congresso será encerrado com jantar e festa.

No dia 22 de novembro (domingo):

Às 9h00 terá início o 3.º Encontro Nacional de Jovens Trans, que irá decorrer ao longo do dia no BUS – Paragem Cultural.

Às 20h00, no mesmo local, a API convoca todas as pessoas e ativistas trans para uma recepção ao conjunto de ativistas internacionais que estarão em Lisboa, durante o fim-de-semana, para participarem numa formação organizada pela Transgender Europe (TGEU). EU FAÇO A MINHA FESTA será um lusco-fusco internacional, um espaço para partilhar, conviver e aprender mais sobre o que ativistas de outros países andam a fazer para combater a transfobia que – como importa não esquecer – mata.

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A API congratula o esforço de todas as pessoas trans que permitiram uma agenda tão recheada para estes dias, apelando à mobilização e à participação de todas as pessoas – no sentido de garantir que este será o Dia da Memória Trans mais MEMORÁVEL de sempre. Questionamos, no entanto, o que continua a impedir que todas as pessoas trans se possam mobilizar para um mesmo evento onde possamos, de uma vez por todas, chorar em conjunto os nossos mortos e clamar em voz audível o fim deste “tranquilo genocídio”.

 

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