ENTREVISTA EXCLUSIVA COM JABU PEREIRA – DIA PARA A VISIBILIDADE TRANS EM ÁFRICA

Jabu Pereira é africano, um homem trans e um defensor contra todas as formas de injustiça, especialmente as relacionadas com pessoas trans, queer, gender non-conforming e intersexo. Jabu é o diretor da Iranti-org, uma organização de documentação e defesa dos direitos humanos lésbicos e trans, sediada em Joanesburgo. A Iranti-org trabalha na África do Sul, mas também a nível global.

Conhecemos pessoalmente Jabu Pereira, pela primeira vez em Atenas na Conferência Anual da ILGA-Europa. Depois de vários encontros informais,  com algumas gargalhadas, comida e bebidas, percebemos que as nossas visões para além de semelhantes eram uma oportunidade. Uma oportunidade de chegar ao mesmo fim: um mundo consciente da diversidade.
A foto de capa desta entrevista é um artigo escrito por Jabu Pereira para o Mail&Guardian por ocasião do Dia para a Visibilidade Trans em África realizado hoje na “Cadeia das Mulheres”, Constitution Hill Precinct, Johannesburg.
Nesse artigo, Jabu dá-nos a perspectiva pessoal sobre interseccionalidade: “A rejeição do meu corpo com base na raça e na minha expressão de género é uma luta contra o racismo e a heteronormatividade”, explica depois de nos contar um episódio na infância, quando foi à praia e leu um sinal “APENAS BRANCOS”, onde “foi a minha primeira experiência dolorosa no meu corpo, por ele ser juridicamente errado e inadequado para nadar no oceano.”

A Ação Pela Identidade queria saber mais sobre este dia e conseguimos “apanhar” Jabu entre várias tarefas para nos responder a estas perguntas numa entrevista de 5 minutos.
Por favor, leiam-na abaixo.

Ação Pela Identidade – API: O que é o Dia para a Visibilidade Trans em África, quantas vezes já aconteceu e porque é este dia assinalado e organizado?

Jabu Pereira: Este é o 1ºDia para a Visibilidade Trans em África. Juntámo-nos, enquanto ativistas trans da África do Sul, Namíbia, Zimbabué, e informalmente pensou-se nesta ideia. Agora nós queremos que isto aconteça todos os anos. Queremos que a visibilidade trans esteja também em partes diferentes do nosso continente. Também já houve o primeiro Trans and Intersex Pride, no Botswana, que tem acontecido desde os últimos 5 anos.

Este dia é marcado juntamente com o Dia Internacional dos Direitos Humanos, o Dia Mundial de Luta contra a SIDA e os 16 dias sem violência. Nós temos estas intersecções nas nossas vidas. Exigimos que os nossos governos nos vejam todos os anos, e que se foquem tanto nestes dias como na nossa ação.

Como primeira ação, o Dia para a Visibilidade Trans em África será fantástico. Apenas pelo simples facto de termos conseguido um espaço seguro para nós próprixs, para as nossas vidas, para as nossas narrativas e para a nossa existência faz com que este dia seja fantástico e libertador.

API: O que irá acontecer?

Jabu: Estamos a organizar o Dia para a Visibilidade Trans em África no Constituition Hill, na “Cadeia das Mulheres”. É um local histórico na luta da África do Sul contra o Apartheid. Neste local, feministas e lutadoras pela liberdade, como Winnie Mandela, Shamim Meer, Lilian Ngoyi e muitas outras, foram aprisionadas por lutarem contra um sistema injusto. Agora, reclamamos este espaço como sendo nosso. Iremos celebrar a nossa liberdade, mas também iremos lutar pelos nossos direitos na atual democracia, enquanto os corpos trans são violados e silenciados. Também foram convidadxs ativistas do Uganda, Zimbabwe e da Namíbia para se juntarem a nós neste dia da solidariedade. É um bom momento para elevarmos juntos a nossa luta contra a pobreza, a desigualdade e a violência.

Web A5 Flyer Trans Visibility 2015
Event flyer

API: Qual é o teu papel na organização, e quais são as tuas expectativas pessoais para este dia?

Jabu: A Iranti-org está a ter um papel facilitador, estruturando o Dia para a Visibilidade Trans em África, mas não queremos reclamar o espaço como sendo nosso, porque não o é. É o espaço de todos xs ativistas trans, de várias organizações, que se vão juntar para criar uma ação política. Estou bastante feliz por podermos começar uma campanha tão importante, neste momento. Este espaço é aberto a todxs, para criarem trabalho subversivo, para partilharem o seu trabalho, e para serem tão sonorxs e ativxs quanto seja possível. Esperamos que isto cresça enquanto ação coletiva dos nossos corpos contra as violações em massa.

SUGESTÕES

Entrevista em Inglês/English: Exclusive interview with Jabu Pereira – Africa Trans Visibility Day

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