A comunicação social continua transfóbica?

Durante o telejornal da RTP de ontem (7/10/2015), o pivô José Rodrigues dos Santos protagonizou um lamentável momento, evidenciando a transfobia que ainda persistem nos meios de comunicação social portugueses. Durante a introdução de uma peça jornalística, que versava sobre os deputados eleitos nas últimas legislativas, e que nunca tinham exercido este cargo antes, o pivô referiu-se a Alexandre Quintanilha, eleito pelo Partido Socialista no distrito do Porto (onde era cabeça de lista), da seguinte forma: “O deputado mais velho tem 70 anos e foi eleito ou eleita pelo PS”.

Além de omitir o nome do deputado em questão, José Rodrigues dos Santos coloca em dúvida o género de Alexandre Quintanilha. Podem ser feitas tentativas de justificar tal sucedido como uma “gaffe”, como de resto já foi tentado pela direção de informação da RTP, no entanto a situação é clara. Não podemos deixar de parte o facto de Alexandre Quintanilha ser assumidamente gay e casado com uma pessoa do mesmo sexo.

A “gaffe” de José Rodrigues dos Santos é a piada transfóbica que muitas pessoas LGBTI ouvem, ainda demasiadas vezes, no seu dia-a-dia, tendo as suas identidades postas em dúvida, vendo a sua identidade de género confundida com a sua orientação sexual. O facto de Alexandre Quintanilha ser assumidamente gay, nada interfere com a sua identidade de género.

Na verdade, estas “gaffes” e sentido de humor de gosto duvidoso são comuns em Portugal. No passado dia 24-09-2015, a Mega Hits (estação de rádio do grupo Renascença, propriedade católica) apresentava numa rubrica humorística (clique aqui para ouvir) de Luís Franco-Bastos, “Catalina, o mais recente transsexual português”. Partindo do caso mediático da norte-americana Caitlyn Jenner, que se revelou recentemente como mulher trans, o pretendo humorista Franco-Bastos tentou parodiar as mulheres trans portuguesas.

Mais uma vez, a identidade de género das pessoas trans foi posta em causa, sendo a personagem Catalina apresentada no masculino. A isto juntou-se um conjunto de piadas fáceis e estereotipadas que não podem fazer mais que minimizar as experiências das pessoas trans no nosso país, caracterizadas por várias violações dos Direitos Humanos. Muitas pessoas trans em Portugal têm o reconhecimento da sua identidade negada em Portugal, impedindo-as de ter uma vida digna, de trabalhar ou estudar. Muitas pessoas trans vêm negado o acesso a tratamentos de saúde de que necessitam, ou expostas a tratamentos pouco seguros que as deixam por vezes incapacitadas.

A realidade das pessoas trans em Portugal deve ser levada a sério, e isso começa por um tratamento digno e respeito por parte da comunicação social.

A Ação pela Identidade

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